quarta-feira, 2 de junho de 2010

Na época da colonização do Brasil, após o ano de 1500, os portugueses introduziram em nosso país muitas características da cultura europeia, como as festas juninas.



Mas o surgimento dessas festas foi no período pré-gregoriano, como uma festa pagã em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas, na época em que denominaram de solstício de verão. Essas comemorações também aconteciam no dia 24 de junho, para nós, dia de São João.



Essas festas eram conhecidas como Joaninas e receberam esse nome para homenagear João Batista, primo de Jesus, que, segundo as escrituras bíblicas, gostava de batizar as pessoas, purificando-as para a vinda de Jesus.



Assim, passou a ser uma comemoração da igreja católica, onde homenageiam três santos: no dia 13 a festa é para Santo Antônio; no dia 24, para São João; e no dia 29, para São Pedro.



Os negros e os índios que viviam no Brasil não tiveram dificuldade em se adaptar às festas juninas, pois são muito parecidas com as de suas culturas.



Aos poucos, as festas juninas foram sendo difundidas em todo o território do Brasil, mas foi no nordeste que se enraizou, tornando-se forte na nossa cultura. Nessa região as comemorações são bem acirradas - duram um mês, e são realizados vários concursos para eleger os melhores grupos que dançam a quadrilha. Além disso, proporcionam uma grande movimentação de turistas em seus Estados, aumentando as rendas da região.



Com o passar dos anos, as festas juninas ganharam outros símbolos característicos. Como é realizada num mês mais frio, passaram a acender enormes fogueiras para que as pessoas se aquecessem em seu redor. Várias brincadeiras entraram para a festa, como o pau de sebo, o correio elegante, os fogos de artifício, o casamento na roça, dentre outros, com o intuito de animar ainda mais a festividade.



As comidas típicas dessa festa tornaram-se presentes em razão das boas colheitas na safra de milho. Com esse cereal são desenvolvidas várias receitas, como bolos, caldos, pamonhas, bolinhos fritos, curau, pipoca, milho cozido, canjica, dentre outros.



Por Jussara de Barros

Graduada em Pedagogia

Equipe Brasil Escola



Festa Junina - Brasil Escola

Brasília Outros 50

31 de maio de 2010




Brasília Outros 50

Ministro Juca Ferreira faz balanço do evento durante reunião com artistas da capital federal





“O papel do Estado é apoiar a Cultura”, ressaltou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, convidado para encontro promovido pelo Fórum de Cultura do Distrito Federal na manhã desta segunda-feira, 31 de maio, no Teatro Plínio Marcos, no Complexo Cultural da Fundação Nacional das Artes, em Brasília. Durante a reunião, que contou com apresentações artístico-culturais, foi divulgado o resultado do Brasília Outros 50 e discutida a continuidade do projeto.



“Estamos celebrando uma parceria e desdobrá-la é um processo”, afirmou o ministro Juca Ferreira ao falar da possibilidade da iniciativa entrar definitivamente para a agenda cultural da capital federal. “Acho que não deve ser só um evento e me ofereço para dialogar com o governador, pois vocês abriram uma porta que dificilmente será fechada”, defendeu Juca Ferreira.



Ricardo Moreira, coordenador do Fórum de Cultura do Distrito Federal, agradeceu o esforço do Ministério da Cultura para a realização da celebração e manifestou o apoio dos artistas e produtores culturais do DF pela implantação do Sistema Nacional de Cultura e pela criação e modernização da legislação cultural brasileira: “Vamos trabalhar todas as políticas públicas que estão sendo implantadas no país. Nós colaboramos e construímos juntos o Sistema de Cultura no Distrito Federal”.



Para Laura Cavalheiro, representante das Artes Cênicas, o Brasília Outros 50 foi uma experiência única porque ”além da participação das diversas linguagens cênicas, proporcionou a interação delas com as outras expressões artísticas. É um grande passo rumo a uma nova forma de gestão cultural”, declarou.



Brasília Outros 50 - Iniciativa do Fórum de Cultura do Distrito Federal, patrocinada pelos Ministérios da Cultura (MinC) e do Turismo (MTur), o evento assinalou o cinquentenário de inauguração da capital federal com 50 horas de apresentações de música, teatro, cinema, circo, artes visuais, artes digitais, poesia, dança e outras manifestações artísticas. As atividades foram realizadas no Complexo Cultural da Funarte/MinC, ao lado da Torre de TV, e recebeu um público diário de cerca de 150 mil pessoas, além de ter gerado quatro mil empregos temporários.



(Texto: Sheila Rezende)

(Fotos: Pedro França)

(Comunicação Social/MinC)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A revolução cultural frente à ditadura militar


 

o ano em que foram experimentados todos os limites


 


 


 

A obra de Zuenir Ventura é contextualizada numa época de heróis e de carrascos, de seus dramas e paixões, de suas lutas, suas vitórias e suas derrotas. Não se trata, exatamente, de um livro de histórias, é na verdade, um romance que parte da realidade: o retrato de uma geração que como no resto do mundo queria fazer uma revolução em todos os sentidos, mas no Brasil, não conseguiu mais que uma revolução cultural.

Acima de tudo, Zuenir quer mostrar que a história de 1968 não termina aí. Ela, na verdade, começa. A história retrata, em estilo jornalístico, os fatos que marcaram o conturbado ano de 1968 no Brasil e no mundo. Tornou-se um ano mítico porque foi o ponto de partida para uma serie de transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais, que afetaram a sociedade da época de uma maneira irreversível. Seria um marco para os movimentos ecologistas, feministas, das organizações não governamentais (ONGS) e dos defensores das minorias e dos direitos humanos. Fazendo com que parte da juventude militante daquela época se refugiasse no consumo de drogas ou escolhesse a estrada da violência, da guerrilha e do terrorismo urbano. Cabeças revolucionárias achavam que era um ato ideológico, que a revolução ia se dar pelo uso de drogas.


 

"Fomos presos, torturados, mortos, exilados, e não conseguimos chegar a lugar nenhum".


 

"1968" foi o ano louco e enigmático do século xx. Ninguém o previu e muito poucos os que dele participaram entenderam afinal o que ocorreu. Deu-se uma espécie de furacão humano, uma generalizada insatisfação juvenil, que varreu o mundo em todas as direções. O ano de 1968 entrou para a história como um ano extremamente movimentado e cheio de acontecimentos importantes, como os assassinatos de Martn Luther King e de Robert Kennedy, a guerra do Vietnã, além de inúmeras manifestações sobretudo estudantis, contra a guerra do Vietnã e contra os regimes autoritários vigentes em diversos países do mundo, sobretudo da América Latina. No Brasil, o ano foi marcado pela instituição do AI-5 pelo então presidente Costa e Silva.

O AI-5, tradução dos acontecimentos políticos, culturais e sociais do período, durou dez anos - seus efeitos mudaram gerações, a de então e as que viriam. Transcorre o livro em tom narrativo, com citação à importantes personagens, obras e músicas que fizeram parte do período como: a atriz Claudia Cardinale, italiana e esquerdista, assim como, César Benjamin "Cesinha" militante do Mr-8 (movimento Revolucionário 8 de outubro) e Carlos Lamarca "O capitão da guerrilha", militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e do Mr-8. Também faz referência à artistas que participaram do combate ao regime militar e que adquiriram importância nacional nos anos que se passaram como Caetano Veloso, Chico Buarque, Geraldo Vandré, entre outros.

O movimento estudantil no Brasil lutava contra o regime militar e por melhor educação. No entanto, foi no ano de 1968 que o regime militar aumentou a repressão, o que fez emergir a UNE (União Nacional dos Estudantes) como protagonistas da resistência. Apesar de ter marcado a vida do país e de ter antecipado idéias e comportamentos essa geração não conseguiu chegar ao poder jovem. O líder Estudantil Vladimir Palmeira, tinha 18 anos em 64 e militava desde os 16. Segundo dizia Vladimir: "Fomos presos, torturados, mortos, exilados, e não conseguimos chegar a lugar nenhum". (pág.23)

Tudo começa a partir de uma emblemática festa de réveillon, Zuenir mostra como, desde as primeiras horas, 1968 já se fazia bastante incomum e marcado por audaciosas experimentações, tanto na política como no comportamento. O autor relata a História de 68 como um período rico, privilegiando mais do que a própria vivência, no qual, os jovens da época eram incendiados de paixões revolucionárias e acreditavam na política. "Ao longo desses 20 anos, houve muitas hipóteses para tentar explicar aquela explosão de sexualidade, violência, prazer e ansiedade, que marcou tanto as reminiscências da época. Pessoas com problemas sexuais, uniões infelizes, fantasias não realizadas, violências reprimidas, a perda da fé na política, veio tudo à tona". (pág. 12)

Foi o ano em que foram experimentados todos os limites, em que a mulher brasileira começou a definir certos padrões culturais na sociedade, como a utilização de anticoncepcional, redefinindo os padrões de comportamento, no qual, parte dessa geração queria trazer a política para o comportamento e parte procurava levar o comportamento para política. Porém, o processo não atingia todas as classes sociais. No entanto, em meio a esta complexidade cultural é que surgia uma geração de jovens intelectualizados, reagindo contra o tradicionalismo sexual e criando antitabus. Diante dos fatos, a revolução sexual, na verdade, tinha trazidos algumas soluções, mas criando também muitos problemas.

Curiosamente, as transformações de costumes começavam a se operar então, principalmente no campo sexual, nem sempre foram absorvidas pelas organizações políticas como um fenômeno paralelo, convergente ou aliado. Mas, para alguns pais retrógrados, aderir aos novos costumes era inaceitável desvio ideológico, pois, as mudanças de comportamento não eram recebidas como sinais de avanço, mas de retrocesso. Essa geração iria experimentar os limites não apenas na política, mas também no comportamento, quando surgia o primeiro casal moderno que tinham casos e aventuras extraconjugais, no qual, surgiu a primeira bofetada do ano de 1968. "O fato é que o casamento moderno da atriz com o cineasta terminou ao som daquela bofetada e nunca mais podê ser refeito. Ficou como um marco: foi o primeiro casal de uma série de 17 casamentos - modernos ou não - que se desfizeram naquela noite ou em conseqüência dela". (pág.11).

Fazendo uma correlação com os dias de hoje ,vemos que muita coisa mudou ,mas nem tudo:


 

  • A liberdade de expressão hoje é direito pleno.
  • A sexualidade passou a ser debatida de forma natural,e muitos tabus que começaram a serem quebrados naquela época hoje são coisas que fazem parte da normalidade,tais como;uso de anticoncepcionais,discussão sobre aborto e divorcio.


 


 

  • A liberdade cultural e a cultura militante tem espaço
  • Os militares ainda por muitas vezes acabam por intervir no direito de ir e vir do cidadão.


 

Desde 1968 ocorreram diversas mudanças mas há ainda muitas feridas abertas , e muita obscuridade sobre o que realmente ocorreu,1968 ainda não terminou.


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Bibliografia


 


 


 


 


 

VENTURA, Zuenir
1968: O Ano que Não Terminou
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1988

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008